A génese do Supermarine Spitfire
Após a I Grande Guerra a evolução dos aviões de caça em Inglaterra prosseguiu por pequenos passos produzindo aparelhos com poucas inovações de modelo para modelo, mantendo a configuração biplano armado com duas veneráveis metralhadoras Vickers do período 14-18.No início dos anos 30 a evolução tecnológica permitiu a construção de motores com potências suficientemente elevadas pelo que se pensaram fórmulas aerodinâmicas que melhor aproveitassem essa potência na obtenção de velocidades mais elevadas.
Com esse objectivo foi publicada uma especificação (F 7/30) para o concurso de um caça rápido. Em resposta, a Supermarine construiu um avião monoplano, cantilever, com asas em "w", de trem fixo e cockpit aberto. Este aparelho só nos interessa porque constitui uma espécie de pai do futuro Spitfire, pois, tal como todos os aviões de outros construtores que também apresentaram soluções, ele não correspondeu às expectativas geradas.
Enquanto que a RAF continuava a voar em caças biplanos, os teóricos da guerra aérea começaram a admitir que os futuros aviões seriam tão rápidos que teriam o inimigo na mira um tempo insuficiente para o abaterem apenas com duas metralhadoras ligeiras de baixa cadencia de fogo. Após um debate sobre o melhor armamento para um caça foi decidido equipar qualquer futuro aparelho com 8 metralhadoras Browning de 0.303 polegadas, uma arma baseada na Colt de 0.3 in, decisão oficializada pela especificação F 5/34.
Um pouco mais tarde é escrita uma nova especificação - F 37/34 - para um caça, na qual era já mencionada a intenção de o equipar com o novo motor PV12 da Rolls Royce cuja potência projectada era de 1000 Cv e, reconhecendo ser difícil a instalação de 8 metralhadoras fora do arco do hélice, especificando um mínimo de 6 embora mantendo que o ideal seriam 8.
Reginald J. Mitcell, na qualidade de projectista chefe da Supermarine, tinha desenhado uma série de hidroaviões de corrida que obtiveram várias notáveis vitórias. Em 1931 ganhou o consagrado Schneider Trophy, com o Supermarine S6B. Este atingiu uma velocidade de 655 Km/h graças não só aos 2350 Cv do motor especialmente fabricado para o evento (o motor tinha de ser "overhaulado" após cada utilização à potência máxima), como também devido à redução do atrito conseguido com o aerodinamismo das linhas, aliado a uma elevada carga alar.
A experiência conseguida com a produção do protótipo K2890 Type 224 aliada ao "know how" existente no fabrico de hidroaviões de corrida traduziu-se no projecto de um caça monolugar, de cockpit fechado, trem retráctil, monoplano cantilever de asa baixa, elíptica, de área generosa mas muito fina, extraordinária pureza de linhas, puxado por um Rolls Royce Merlin. Estas qualidades, aliadas a uma construção monocoque, fizeram dele o primeiro avião realmente moderno projectado em Inglaterra na época pré II Guerra Mundial. Foi projectado para ser armado com oito metralhadoras a disparar fora do arco do hélice e equipado com novidades tais como um radiador de baixo atrito e com exaustores de escape funcionando como ejectores o que, a 300 mph aumentavam 70 Cv à potência do motor.
O seu primeiro voo ter-se-á realizado a 6 de Março de 1936 (não há unanimidade sobre esta data).
Entretanto as autoridades inglesas, receando que um aparelho com tantas inovações técnicas pudesse vir a sofrer problemas de produção, decidiram adquirir dois caças para a mesma especificação. O outro, de construção mais tradicional, desenvolvido por Sydney Camm, também notável, resultou da evolução de um biplano e seria mais tarde conhecido por Hurricane. Esta resolução acabaria por ser mais que justificada pelos acontecimentos pois a complexidade de construção do Spitfire causaram tais atrasos nas entregas que durante a chamada Batalha de Inglaterra havia mais do dobro de Hurricanes que Spit´s disponiveis.
Em Março de 1938 a versão C-1 começa a sair das linhas de montagem tendo sido imediatamente enviado para Espanha.
Não houve série "A" na longa lista de modelos do Bf 109. Entendeu-se que esta designação cobriria a extensa quantidade de versões experimentais que, contudo, continuaram a usar o habitual prefixo "V"

